16 de maio de 2015

Sê Mentes Livres - Re-Existência


"O que é o planeta Terra no Universo? Uma poeirinha ou uma semente?"

No dia 15/05, realizou-se em Pardinho-SP o II Encontro da Rede de Sementes Livres e a VI Feira Estadual de Sementes Crioulas de São Paulo, contando com a participação de agricultores e agricultoras de diversos estados bem como pesquisadores, estudantes e amantes da diversidade.

O Bairro Demétria esteve muito bem representado. A Associação Biodinâmica foi uma das organizadoras do evento, assim como outros moradores do bairro também contribuíram com a organização.


Vídeo de outro evento tratando do tema.

Por sua vez, Associação Nascentes que é também situada no bairro, celebrou a primeira colheita de sua Agrofloresta - fruto de mutirões realizados pelos moradores e amigos do bairro - e pôde enriquecer seu banco de sementes e de experiências, pois além da troca de sementes a feira promove o intercâmbio de saberes entre os participantes.

Voluntários da Nascentes - Celebrando a Vida

Viva a diversidade, a vida, a soberania, a emancipação, a liberdade, a abundância!
Viva a produção criativa dos próprios alimentos e também  todos os guardiões de sementes crioulas, os guardiões da VIDA!

Sê Mentes Livres!

Damos graças!

13 de maio de 2015

Agroecologia: uma ciência em movimento.

Artista: Gildásio Jardim

“Semear a liberdade, auto-gerir, assumir a responsabilidade individual, desconstruir paradigmas e arregaçar as mangas para construir um todo que acolha, respeite e aprenda com a diversidade. Respeitar a liberdade de cada um. Re-significar o olhar acerca de como as coisas podem ser nesse mundo, perceber nossos padrões, escolher e re-existir.”
Rede de grupos de Agroecologia do Brasil/REGA – Carta do VI ENGA

Para fazer contraponto a lógica do agronegócio, baseada na produção em monoculturas, dependência de insumos químicos, alta mecanização, além da concentração da propriedade de terras produtivas e da exploração do trabalhador rural, sempre existiram movimentos que levantaram as bandeiras das ditas 'agricultura alternativas', consolidando com o tempo o movimento agroecológico. Apoiada em princípios e valores que honrem os direitos humanos e ambientais, a agroecologia visa a superação dos atuais paradigmas da produção agrícola, das relações econômicas, das relações de trabalho e das relações do homem para com a natureza e para com ele mesmo, propondo novos meios de se relacionar, produzir, comercializar e educar.

Na abordagem agroecológica a Terra é considerada um grande ser vivo, assim como o solo, e possui resiliência própria promovendo sua homeostase ou auto-regulação. Portanto a agricultura praticada bem como, toda a cadeia produtiva e de distribuição, devem estar de acordo com a saúde do solo, das plantas, dos animais e dos humanos, de forma equilibrada aos ecossistemas naturais. Daí a interface entre a Ecologia e a Agronomia, como áreas do conhecimento, num diálogo equilibrado entre as interações ecológicas e a demanda agrícola da sociedade. Surge então a agroecologia como uma nova área do conhecimento, uma nova ciência com muitos potenciais e desafios.

A agroecologia é considerada uma ciência holística e que estaria apoiada em seis pilares, sendo o político, econômico, social, ambiental/ecológico, ético e cultural. Considera-se uma atividade agroecológica, aquela que consegue enxergar estes pilares como um todo – conferindo a visão holística e o caráter transdisciplinar desta ciência.

Num país com graves sequelas de uma colonização escravagista e latifundiária, há de se ter bem clara a história da agricultura e das relações sociais para se enxergar no todo e construir a agroecologia.

Desta forma, à luz da evolução histórica da agricultura e das políticas agrícola e agrária, busca-se contrapor as lógicas da competição, concentração, centralização e da hierarquia – inerentes ao capitalismo e seu livre mercado – de maneira a promover a emancipação e a autonomia dos seres humanos, de qualquer forma de dominação e opressão, estabelecendo cadeias produtivas solidárias que estejam sob controle da agricultura familiar/camponesa e suas organizações.


Dá-se ênfase ao fortalecimento da agricultura familiar como estratégia para o desenvolvimento rural, baseada na soberania alimentar e na união de saberes e práticas ancestrais com os conhecimentos e métodos da ciência - sem renegar a tecnologia.

O desafio está dado, é preciso pôr as mãos na terra e se abrir para a vontade do mundo.

Marcelo Gomes

Artista: Gildásio Jardim


12 de maio de 2015

'Co(n)-Viver'

Krishna e os Gopas


Conviver rima com ar, com ir e com er.

Se entregar, confiar
Se sacrificar, não julgar
Esperar.

Ouvir, sentir, refletir
Deixar fluir.

Ceder, receber
Não temer,
E enfim, crer.

Simbora conviver!


Marcelo Gomes

"Saiba que sempre terá sede aquele que não quer ser uma fonte." J.C.

10 de maio de 2015

O desenrolar da Agroecologia - de dentro pra fora.

Pintura por Gildásio Jardim Barbosa
“... para se fazer agricultura ecológica
há de se ter memória e história.”
Sebastião Pinheiro 

Historicamente, a agroecologia surge de movimentos que desde a década de 70 vem levantando a bandeira das ditas ‘Agriculturas Sustentáveis’, fazendo contraponto a um modelo de agricultura que vinha sendo imposto pela famosa Revolução Verde - baseada na mecanização, insumos químicos e na padronização do processo produtivo, uma industrialização e desumanização da agricultura e do campo.

Hoje, para além de uma nova ciência, a agroecologia é um movimento social e está apoiada em seis pilares, sendo eles o político, ético, econômico, ecológico, social e cultural. Busca-se o equilíbrio entre estes pilares de forma que todos tenham a mesma importância.

 Embasada na visão holística e na problematização crítica da realidade sócio-ambiental e articulada a nível nacional de forma descentralizada, a agroecologia visa a superação dos atuais paradigmas da produção agrícola, das relações econômicas, de trabalho e das relações do homem para com a natureza e para com ele mesmo, propondo novos meios de se relacionar, produzir, comercializar e educar de forma sustentável.

É importante entender que, no Brasil, a agroecologia enquanto ciência ainda é recente e que, quando inserida no contexto institucional, estará submetida aos processos burocráticos, às relações humanas que se darão e às diferentes concepções que podem ter, sejam políticas ou existenciais. A formação acadêmica, que envolve a agricultura, tem tido na história um viés estritamente técnico e especializado, focando no ‘produtivismo científico’ reducionista em detrimento de uma geração de conhecimento que valorize a demanda e a sabedoria do povo.

Há de se ter bem clara a história da agricultura e das relações sociais no mundo para se enxergar no todo e construir a agroecologia. Pois na complexidade das relações agrícolas e agrárias do Brasil, onde as tradições locais são cada vez mais corrompidas pela globalização capitalista e onde a terra - o solo sagrado dos povos originários - se tornou mera mercadoria nas mãos de quem conduz desde sempre o agronegócio ”brasileiro”, há uma completa inversão de valores: o empresário é chamado de agricultor e a agricultura é entendida quase que estritamente como a produção de commodities para gerar divisas. Já o camponês e a camponesa, que estão no dia-a-dia de labuta com a enxada na mão, conservando a biodiversidade em forma de sementes e que produzem o alimento ao suor de seu próprio sacrifício, são desvalorizados pelas políticas e relações sociais. Sequelas de um Brasil colônia.

Com isso, dentro de sua complexidade e diversidade de atores, o movimento agroecológico se insere na construção de políticas públicas que valorizem o agricultor(a) familiar, comunidades tradicionais, suas culturas, seus direitos e a Terra como um todo, bem como atua na base promovendo e praticando uma agricultura que respeita a saúde do solo, das plantas, dos animais e dos seres humanos. Atua rumo à transição para uma sociedade agroecológica, nos mais diferentes espaços da estrutura atual em que vivemos e entende que a principal transição está dentro de cada indivíduo.

Partindo de nossa intenção, nas nossas escolhas e atitudes, na relação com a nossa própria saúde, na mudança de hábitos, na desconstrução de padrões e condicionamentos e com a quebra dos tabus que oprimem a liberdade individual, poderemos avançar rumo a um novo paradigma social que resgata e honra os conhecimentos ancestrais unindo-os às práticas e conhecimentos da ciência, sem renegar a tecnologia e tampouco a espiritualidade. Há de se resgatar o valor do silêncio e também o feminino perdido dentro de nós.

Marcelo Gomes


9 de maio de 2015

O Todo... o Nada

Olá, Eu sou o Todo
Mas mesmo sendo o Todo,

Sei que tem algo que a mim transcende.

Algo que existe e não existe
Que é indefinível, infinito
É o sustentáculo do meu ser
De tudo que abraço.

Você está imerso em mim - me compõe.
Pode as vezes não saber, ou crer.

Caminhamos juntos, Tu e Eu
Numa sintonia que respira
Que dança
E que, por ora, balança.

Somos muito complexos, os dois
Não queiramos nos perder
Afinal o que importa
É a simples essência do nosso ser... ou não ser?


                                                             Marcelo Gomes


"Nenhuma prática isolada dá conta do recado.
Mas talvez a mais primordial seja o silêncio."

 Imagem do site http://www.autumnskyemorrison.com/, artista canadense.